“Estou morta. Não sou nada. Nunca serei nada. Estou completamente morta. Sou uma morta-viva; meu corpo é apenas poeira. Logo minhas pernas não me carregarão mais... Meus pulmões são de um cadáver. Podem me radiografar que não encontrarão nada. Dentro do meu corpo há apenas pó. Sou um cadáver que anda para que ninguém me enterre... Não há mais dinheiro para me enterrar. É preciso me jogar na vala comum. Sou um cadáver que anda, uma morta-viva, uma morta que ressuscitou três vezes. Sou imortal... sou um cadáver grávido. Ando para alimentar o bebê, que também está morto. Engravidaram um cadáver... e eu estou muito, muito gorda.”
Tais palavras sairam da boca de uma paciente do psiquiatra francês Jules Cotard (1840-1889), síndrome de cotard, delírio de cotard, delírio niilista ou de negação, é uma patologia neuropsiquiátrica no qual a pessoa afetada acredita estar morta, tal patologia foi apresentada a Société Médico-psychologique (Sociedade Médico-psicológica) pelo neurologista francês na sua obra "Du délire hypochondriaque dans une forme grave de la mélancolie auxieuse", (Do delírio hiponcondríaco sob uma forma grave de melancolia ansiosa).
A crença na própria morte é muito forte e isso faz com que a pessoa acredita não ter sangue, não ter orgãos, não necessitar de alimentos e de água, ser somente poeira caminhando sobre o mundo. Diz poder sentir os vermes caminhando sobre o seu corpo e consegue descrever em detalhes a hora e a situação de sua própria morte. A comunicação com as outras pessoas e rompida assim como o ato de se higienizar, se alguem tentar contrariar sua morte o "morto" em questão irá retribuir e afirmar que este outro também já faleceu, porém não sabe. Em estados avançados o doente nega a existência do mundo e também a sua, em casos mais leves pode manifestar-se sentimentos de angústia e desespero.
Quando alguem acredita que morreu confere a si mesmo o status de imortalidade, porém neste caso deixa te ser um previlégio e se torna um tormento, pois o seu corpo será designada a caminhar pela terra durante toda a eternidade em um estado pútrido já falecido e incapaz de se comunicar, alimentar, viver...
O tratamento para tal enformo é feito à base de antidepressivos tricíclicos, serotoninérgicos, juntamento com sessões de terapia eletroconvulsiva.
Texto, Ítalo A. C. Freire.
Imagen, Andrea Ebert.












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